Céu de Outono

22/12/2004 10:33

Neruda nosso de cada dia




Para meu coração basta o teu peito
Para que sejas livre as minhas asas.
De minha boca chegará até o céu
O que dormindo estava em tua alma.

Tu trazes a ilusão de cada dia.
Chegas como o orvalho nas corolas.
Com tua ausência escavas o horizonte.
Eternamente em fuga, irmã das ondas.

Já disse que o teu canto era o do vento
Como cantam os mastros e os pinheiros.
És como eles alta e taciturna.
E entristeces de pronto, como uma viagem.

Acolhedora como antiga senda
Abrigas ecos e vozes nostálgicas.
Desperto e alguma vez emigram, fogem
Pássaros dormindos em tua alma.

Pablo Neruda
In: Veinte poemas de amor y una canción deseperada




Neftalí Ricardo Reyes, dito Pablo Neruda. Poeta chileno (Parral 1904 - Santiago 1973).
.
Cônsul do Chile na Espanha e no México, eleito senador em 1945, foi embaixador na França (1970). Suas poesias da primeira fase são inspiradas por uma angústia altamente romântica. Passou por uma fase surrealista. Tornou-se marxista e revolucionário, sendo, primeiramente, a voz angustiada da República Espanhola e, depois, das revoluções latino-americanas.
enviada por sonia






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)



 Rio de Janeiro, professora e leitora compulsiva .